Ejaculação precoce

Pesquisa aponta caminho para combater a ejaculação precoce

 Exercícios pélvicos podem ajudar a melhorar essa que é a disfunção sexual mais comum em homens antes dos 40 anos

A ejaculação precoce é a queixa sexual mais comum em homens antes dos 40 anos. As estatísticas demonstram que 1 em cada 3 homens nessa faixa etária sofrem do problema, definido pela Sociedade Internacional de Medicina Sexual quando a ejaculação acontece em menos de 1 minuto depois do início do estímulo sexual.

Ainda hoje, as terapias existentes só resolvem a questão em parte. “O que vemos no consultório é apenas uma melhora de 50% do tempo de ejaculação, o que ainda é pouco. Por isso, qualquer iniciativa para encontrar melhores soluções nessa área é bem-vinda”, diz Miriam Dambros, especialista em urologia da Clínica Célula Mater.

Daí a importância de um novo estudo, apresentado este mês no encontro anual da Associação Europeia de Urologia, em que se avaliou o resultado de exercícios no assoalho pélvico e técnicas de biofeedback em pacientes com longo histórico do problema.

Os pesquisadores treinaram 40 homens entre 19 e 46 anos para realizar exercícios específicos de fortalecimento do assoalho pélvico, semelhantes aos usados no tratamento de incontinência urinária para mulheres. Todos os pacientes já haviam tentado outros tipos de tratamento disponíveis, como cremes, terapia sexual e antidepressivos, sem melhora.

Além dos exercícios, também foram usados aparelhos de estimulação elétrica e a técnica de biofeedback, em que eletrodos são colocados no períneo, e traduzem em sons e imagens a força e duração das contrações realizadas. Os pacientes realizaram sessões de 20 minutos, três vezes por semana. Após 12 semanas, mediu-se novamente o tempo de ejaculação. Os resultados foram encorajadores: 82% dos participantes notaram melhora. No início do estudo, a média de tempo de ejaculação era de 32 segundos – no final, era de cerca de 2,5 minutos, ou seja, cerca de 4 vezes mais.

Para Miriam, a notícia é boa e aponta um caminho a ser explorado, mas ainda assim ela reconhece que o resultado está distante do satisfatório. “O que vemos no dia-a-dia é que, em boa parte dos casos, a causa está relacionada a um fator psicológico, de ansiedade”, avalia. Por isso, Miriam ressalta a importância de um acompanhamento de um terapeuta sexual, capaz de ensinar ao paciente técnicas específicas (físicas e mentais) para controlar a ejaculação. “Também podemos lançar mão de ansiolíticos, se necessário”.

Miriam lembra ainda que a participação da parceira no tratamento é fundamental. “O terapeuta pode ensinar à mulher condutas especiais para ajudar o homem a lidar com o problema. E é fato que os resultados são melhores quando existe essa parceria”, afirma Miriam.

Célula Mater