Gravidez aos 20, aos 30 ou aos 40?

A equação que equilibra maturidade do corpo, maturidade da mente, estabilidade conjugal e financeira está cada vez mais difícil de solucionar. Conheça os prós e os contras da maternidade em cada fase da vida para poder se planejar sem sustos.

Pergunte à bola de cristal, às cartas do tarô ou ao oráculo de sua escolha: existe hora certa para engravidar? Se a resposta parece um grande enigma, é sempre bom colocar os fatos na balança – e então ver para onde ela pende. Quem sabe assim fica um pouco menos complicado solucionar um dos grandes dilemas das mulheres da modernidade?

A verdade é que, se hoje a medicina tornou possível uma mulher de 40 anos ter uma gestação saudável, do ponto de vista fisiológico não é bem assim: “O corpo da mulher está mais bem preparado para receber todas as mudanças decorrentes da gestação entre os 20 e 27 anos. Portanto, o índice de fertilidade é maior, e o risco de complicações, menor”, explica Carlos Czeresnia, ginecologista e obstetra da Clínica Célula Mater.

Mas, feliz ou infelizmente, a vida não costuma ser tão simples, feito a soma de 1 mais 1. “As demandas da modernidade existem e são reais. Hoje, por exemplo, a mulher se preocupa mais com o ganho financeiro, que antes ficava somente a cargo do marido”, lembra a psicóloga Cristiane Costacurta, coordenadora do núcleo infantil da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.

O bom momento para engravidar é quando o casal chega a essa decisão, levando em consideração todos os pontos necessários. “Cada mãe deve decidir qual é a sua melhor hora de engravidar”, diz Cristiane. Para Czeresnia, a resposta é mais do que isso. “O instinto materno é o que vai determinar qual é a hora certa de a mulher engravidar”, explica. É importante, salienta o médico, que a mãe não seja influenciada pelas pressões sociais e procure as respostas em si mesma.

Veja a seguir os principais vantagens e desvantagens da gestação aos 20 aos 30 e aos 40 anos.

Dos 20 aos 29 anos

Vamos aos fatos: Segundo o relógio biológico, o período entre 20 e 29 anos é o ideal para encarar uma gestação.

Nessa fase, de acordo com Czeresnia, um casal jovem e fértil tem uma chance de 50% de engravidar em seis meses, 75% em um ano e 85% em dois anos. Com o passar do tempo, esse índice cai significativamente.

Os riscos de malformações e problemas genéticos também são bem menores antes dos 30 anos de idade. E tem mais: como o organismo de uma mulher nessa fase da vida tem um metabolismo mais acelerado do que o de uma mulher mais velha, geralmente é mais fácil perder os quilos extras acumulados durante a gravidez. Aliás, também graças a esse metabolismo acelerado, a mãe dispõe de mais energia disponível para cuidar da criança.

Quer mais motivos? Quanto mais cedo a mulher engravidar, menor o risco de tumores de ovário e mama.

Isso porque, durante a gestação, há uma bem-vinda pausa na produção dos hormônios sexuais. Sabe-se que a ação contínua do estrógeno e progesterona sobre as células ovarianas e mamárias podem futuramente levar ao câncer.

Mas, se o organismo da mulher está prontíssimo para uma gravidez nessa idade, do ponto de vista emocional, é preciso pesar se a mãe tem um ambiente receptivo para a gestação, com família e companheiro para ajudá-la nesse processo (além do aspecto financeiro, é claro).

Embora muitas mulheres jovens se sintam inseguras para ter um filho e temam o cerceamento de sua liberdade, a psicóloga Cristiane Costacurta explica que nem sempre pais mais novos são menos preparados para a maternidade. Agora, que a vida vai mudar, vai: “É certo que a chegada do bebê altera radicalmente a rotina e a dinâmica do casal. Isso acontece sempre e independe da idade dos pais”, diz Cristiane.

Dos 30 aos 39 anos

Mais do que chegar à década dos 30, é o marco dos 35 anos que pode ser considerado um “divisor de águas” quando se avalia a melhor hora para engravidar. Quer dizer: a bem da verdade, a partir dos 30, a taxa de fertilidade da mulher já começa a curva descendente. Mas aos 35, essa taxa tem uma queda acentuada. Portanto, se uma mulher acima dessa idade estiver tentando engravidar por mais de seis meses sem resultado, é bom procurar um médico. Se for necessário usar algum tratamento de fertilização, as chances de ela ser bem- sucedida variam entre 25 e 28%. Caso espere até a década seguinte, a porcentagem de sucesso cai para 6 a 8%.

Não é só engravidar que fica mais difícil. Os riscos de complicações durante a gestação também são maiores.

Mulheres com mais de 35 anos têm um risco de 10 a 20% de desenvolver hipertensão durante a gravidez. Já a diabetes gestacional é duas ou três vezes mais frequente nessa faixa etária. O risco de aborto espontâneo fica entre 12 e 18%. Em mulheres com menos de 30, esse risco não ultrapassa os 10%.

Há também fatores que podem acometer o bebê: a partir dos 35 anos, o risco de síndrome de Down e alterações cromossômicas é mais tangível, afetando um em cada 952 bebês e um em 385, respectivamente. Para ter uma ordem de grandeza, mulheres entre 20 e 24 anos têm uma chance de um em 1667 nascimentos de ter um filho com síndrome de Down. Ou seja, biologicamente, o corpo clama por uma gestação antes dos 35 anos.

Mas na prática, quando a mulher chega à década dos 30, sua vida profissional costuma estar mais bem organizada.

Além disso, ela está mais madura e consegue racionalizar a importância de ter uma família além de sua ambição profissional. É também o momento em que entenderá melhor as mudanças provocadas pelo nascimento de um filho. “A mulher de 30 anos sente, sim, uma preocupação com o avançar da idade e já começa a achar que tem pouco tempo para engravidar. Isso também tem que ser olhado de frente e considerado quando ela opta por se estabilizar profissionalmente antes da vinda do filho”, diz Cristiane.

A partir dos 40 anos

Parece que, finalmente, a vida entrou nos eixos: a mulher agora tem um companheiro, tem uma situação financeira estável, já aproveitou a juventude adoidado e está prontinha para a aventura da maternidade.

Se só agora todos os pratos da balança se equilibraram, é bom comemorar o fato de que, com todos os avanços na medicina pré-natal, hoje a gravidez nessa idade é possível. Só que... Os números não mentem: menos de 1% das mulheres têm filhos nessa faixa etária e menos de 0,03% conseguem engravidar entre 45 e 49 anos.

Os riscos também são maiores. “Temos, sim, avanços que nos permitem diagnosticar precocemente problemas que surgem ao longo da gestação e adotar condutas para driblá-los, mas isso não é o mesmo que dizer que eles não acontecem,” pondera Czeresnia.

O médico explica que, aos 40 anos, o corpo já está entrando em uma fase de desgaste. É quando aparecem também os sintomas de doenças como hipertensão e cardiopatias, que podem comprometer a gestação.

A chance de um aborto espontâneo após os 40 anos é grande: chega a um terço das gestações. Após os 45 anos, metade das gestações não ultrapassam as 20 semanas. “Isso, em si, já gera uma ansiedade muito grande, o que pode tornar a gravidez ainda mais difícil”, diz Cristiane.

Um dos maiores medos das mães nessa fase é o risco de o bebê nascer com doenças cromossômicas ou malformações. Realmente, com o envelhecimento dos óvulos, a probabilidade dessas ocorrências é bem maior.

Aos 44 anos, uma a cada 38 mulheres têm filhos com síndrome de Down. Por todos esses motivos, a gestante deve abusar de todos os recursos da medicina para prevenir os eventuais percalços (veja mais no quadro abaixo).

Com todas essas preocupações, o estado emocional da mulher deve ser considerado como parte do acompanhamento da gestação. “Considero muito importante uma boa orientação psicológica durante esse processo para que os futuros pais possam ter um momento de reflexão sobre a situação e a partir daí tirar a força para ter uma gestação tranquila”, conclui Cristiane.

Um passo à frente

A cada dia que passa, o desenvolvimento tecnológico permite detectar os problemas da gravidez com mais antecedência e precisão – o que, algumas vezes, pode ser essencial na prevenção de intercorrências tais como a pré-eclâmpsia, condição progressiva caracterizada por elevação da pressão arterial, inchaço e perda de proteínas da gestante. Se não diagnosticada e tratada, a pré-eclâmpsia pode evoluir para a eclâmpsia, que provoca convulsões e está entre as cinco maiores causas de mortes maternas e perinatais. Para evitar esse quadro, é imprescindível ficar de olho na pressão arterial, bem como nas taxas de glicemia no sangue e na urina. Além disso, um novo teste, chamado PLGF, torna ainda mais preciso o cálculo de risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia. O novo exame é realizado com base na análise das características gerais, bioquímicas e biofísicas da mãe, e já está incorporado à rotina de cuidados no primeiro trimestre da gestação na Célula Mater.

As novidades também chegaram para a detecção anomalias cromossômicas, tais como a síndrome de Down. Por meio do sequenciamento de DNA de nova geração, um novo exame conhecido como NIPT Panorama é capaz de detectar com altíssima precisão qualquer alteração cromossômica no feto com um simples exame de sangue da mãe. Dessa forma, reduz-se consideravelmente a necessidade de outras investigações invasivas, como a amniocentese e a biópsia de vilocorial.

O NIPT Panorama é indicado para gestantes com idade avançada, casais e familiares com histórico de doenças cromossômicas ou em casos de marcadores sanguíneos alterados ou exames de ultrassom suspeitos.

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