OS BEBÊS APRESSADINHOS

Fique atenta ao que se pode fazer para tentar evitar a prematuridade

Quem desvendar os mecanismos que levam ao início do trabalho de parto vai ganhar um prêmio Nobel. Essa é a aposta do ginecologista e obstetra Marcelo Nisenbaum, da Célula Mater. Essa é a chave para prevenir a prematuridade, a principal causa de mortes de crianças até 5 anos de idade.

Embora a medicina hoje consiga salvar bebês muito prematuros (até mesmo 24 semanas), ainda é fato que crianças que nascem antes da hora - ou seja, antes das 37 semanas de gestação - têm mais riscos de complicações respiratórias, infecções, hemorragias interventriculares e problemas de intestino imaturo.

Além disso, existem estudos que associam doenças da fase adulta, como diabetes e hipertensão, e até mesmo depressão, ao parto prematuro.

O CÁLCULO DA PREMATURIDADE

Enquanto pesquisadores do mundo todo estão na corrida, existem algumas formas de calcular quem são as gestantes com maior risco e, com isso, tomar providências para a prevenção. 

Segundo Ana Paula Mosconi, especialista em medicina fetal da Célula Mater, em 30% dos casos os motivos vêm de complicações maternas, como pré-eclâmpsia e fatores que levam à restrição de crescimento.

‘‘Se o feto não está na excelência de oxigenação cerebral, a grande questão é avaliar até que momento se deve levar a gestação’’, explica. 

Marcadores no ultrassom e no sangue materno são capazes de detectar pacientes com o risco de aparecimento de pré-eclâmpsia. 

TRATAMENTOS

E o tratamento também vem se aprimorando. No ano passado, por exemplo, uma pesquisa mostrou o benefício do uso de aspirina para pacientes de risco, diminuindo entre 80 e 90% as chances de desenvolver uma pré-eclâmpsia grave.

Só que sete em cada dez casos de prematuridade surgem espontaneamente, e muitos sem aviso nenhum. 

OS SINTOMAS DO PARTO PREMATURO

A gestante começa a ter contrações doloridas, imunes ao tradicional banho quente e antiespasmódico, que costuma desacelerar falsos trabalhos de parto, e é preciso então correr para o hospital, onde, algumas vezes, ainda se pode tentar segurar o bebê.

PARTO PREMATURO X MERCADO DE TRABALHO

Dentre os múltiplos fatores que levam a uma situação dessas, Nisenbaum destaca pelo menos um que pode estar nas mãos das grávidas: o estresse. ‘‘Vejo muitas que querem provar que a gravidez não influencia na produtividade. Há empresas que não compreendem a situação, mas pode ser também uma pressão da própria grávida’’, alerta. 

O médico destaca que não prega o repouso total, mas apenas tomar alguns cuidados para flexibilizar a rotina, como se alimentar nas horas adequadas, descansar depois do almoço, praticar exercícios de leves a moderados e preservar as horas de sono. 

Se a mulher viver agitada demais, a própria natureza pode provocar o parto, no sentido de tentar aumentar as chances de sobrevivência do bebê. ’’Infelizmente, tem casos em que só depois de um sinal mais sério a gente consegue convencer a gestante a diminuir o ritmo’’, revela.

ATENÇÃO COM AS INFECÇÕES

Outra causa que vale ressaltar são as infecções. Daí a importância de realizar exames de urina, que fazem parte da rotina pré-natal, ficar atenta a qualquer corrimento diferente, queixas urinárias e visitar o dentista. 

Existem antibióticos seguros para o bebê que resolvem esses problemas e previnem maiores consequências.

Grávidas de gêmeos, mais numerosas com os tratamentos de fertilização, também são fortes candidatas a um trabalho de parto antes das 37 semanas. ‘‘A gestação múltipla aumenta em pelo menos dez vezes o risco de prematuridade’’, explica Ana Paula Mosconi.

Apenas 15% dos prematuros espontâneos têm uma história prévia de prematuridade.

Essas e todas as outras deverão passar por uma avaliação que leva em conta características físicas (mulheres negras, mais velhas e de estatura menor têm mais chances de prematuridade), e a medida do colo do útero - região que, na gravidez, serve como barreira na passagem da vagina para o útero. Esse exame, realizado junto ao ultrassom morfológico de segundo trimestre, verifica se o colo está longo o suficiente para segurar a gestação pelo menos até a 34a semana. Caso contrário, é possível lançar mão de comprimidos de progesterona vaginal. ‘‘Elas fortalecem as fibras colágenas e a vascularização do colo’’, explica Ana Paula. 

CERCLAGEM 

Outra carta na manga para essas mulheres é a cerclagem - um pequeno ponto que se dá no colo do útero. É um procedimento cirúrgico que deve ser feito no hospital.

E, por último, existe também o pessário vaginal, um anel de silicone, que pode ser uma alternativa. ‘‘O acompanhamento com os exames disponíveis e um profissional atento é o que pode fazer a diferença’’, resume Ana Paula.

Fonte: Revista Célula Mater Press, edição 20, 2019.

Conselho Editorial:  Equipe médica Célula Mater

Jornalista Responsável:  Débora Mamber Czeresnia

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