Ciclo menstrual

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Ciclo Menstrual

Siga o fluxo Aprenda a surfar no sobe e desce dos hormônios e viva o ciclo menstrual sem se desgastar nadando contra a maré

Ciclo Menstrual - Tensão pré-menstrual, sangramento, cólicas... Menstruar parece ter virado sinônimo de chatice. A vida urbana deixa a mulher tão distante de seus instintos que o ritmo natural do corpo é encarado como um estorvo: não dá para ficar sossegada curtindo um momento de reclusão. Eis que chega a roda-viva e carrega a quietude pra lá...

Mas não precisa ser assim. “Não dá pra fugir: a mulher é cíclica não apenas do ponto de vista hormonal e fisiológico mas também nas atitudes, nas motivações e no humor”, explica Natalia Zekhry, ginecologista e obstetra da Clínica Célula Mater. Compreender melhor o ciclo menstrual  é fundamental para poder surfar nas ondas dos hormônios com mais graça, sem ficar nadando contra a maré.

Para entender melhor o que se passa em cada fase do ciclo menstrual, Natalia procurou a medicina antroposófica. Criada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, ela propõe um método de conhecimento da natureza do ser humano que vai além da ciência convencional. Em se tratando de menstruação, a antroposofia procura entender como a possibilidade de criação de outro ser – ou seja, a fecundação – influencia os estados de humor e o comportamento. “Essa criação pode ser tanto a concepção de um bebê como de um projeto ou ideia. E, se isso não aconteceu nesse ciclo, tudo bem. Tem o próximo, e mais outro e outro. A dádiva da mulher é viver esse ciclo mês a mês”, explica Natalia.A seguir, entenda o que acontece semana a semana:

1ª Semana do ciclo menstrual: purificação

A menstruação chegou. Você sangra, faz bastante xixi, o intestino fica mais solto. É a fase de eliminação. Tudo o que ficou retido na TPM vai embora. Acredite: você pode ficar até 2 kg (!!) mais magra nesse período. De acordo com a abordagem antroposófica, o útero repousa sobre o sacro (cujo nome, etimologicamente, “significa sagrado”) e, à semelhança dos sacrifícios antigos, mês a mês sacrifica o óvulo não fecundado através do sangramento menstrual.

Logo que o sangramento acontece, no entanto, você ainda está passando por uma transição da fase anterior. Por isso, é normal ainda sentir sintomas associados à TPM, como cólicas, dores de cabeça e seios doloridos. Mas, no final desta semana, tenha fé: os céus já estarão bem menos tenebrosos. “A eliminação prepara para o começar de novo. Do ponto de vista orgânico, possibilita o recrutamento de um novo óvulo. Do ponto de vista antroposófico, possibilita um novo impulso ou uma ideia criativa”, explica Natália.

2ª Semana do ciclo menstrual: plenitude

A ovulação será o ápice desta fase. É ela, afinal, a grande responsável por todo esse carnaval hormonal. Logo, é hora de abanar as pestanas: a mulher torna-se mais atraente, sedutora, disposta. Esse comportamento de supermulher acontece graças ao aumento da produção do hormônio estrogênio. E não vale só para encontrar um parceiro. Essa energia pode muito bem ser utilizada para organizar grandes pendências e resolver problemas. A dica de Natalia é: “Aproveite esse período para estimular a criatividade. Quem sabe não aparece uma nova ideia, um insight, um impulso para vislumbrar algo novo?”

3ª Semana do ciclo menstrual: tudo depende

“A terceira semana varia. Se você estiver de bem com a vida, vai ter um reflexo da segunda semana. Agora, se algo não estiver indo bem, pode ocorrer uma antecipação da quarta semana”, comenta Natalia. É por isso que, em determinado mês, a TPM pode durar infindáveis dez dias, enquanto em outro você pode ficar saltitante por muito mais tempo.

4ª Semana do ciclo menstrual: parada para balanço

Fisiologicamente, o impulso novo não foi aproveitado, visto que a ovulação não resultou numa concepção. “Por isso, o corpo precisa fazer um balanço interno para começar um novo ciclo.” O aumento da produção da progesterona provoca a retenção de líquido. Resultado: os seios ficam doloridos, as pernas incham, a barriga fica distendida, e o intestino, mais lento. Os níveis mais altos de androgênio deixam a pele oleosa e propensa a espinhas. Só pra piorar, a queda de transmissão de serotonina (substância ligada à sensação de bem-estar) agrava a insônia, a enxaqueca e o humor. Aquela vontade irresistível de comer doces também vem da falta de serotonina. Resumindo: a ordem é se recolher. “A TPM exige isso. A vida moderna quer que você mantenha o ritmo de sempre, mas a vida interna está pedindo para você se resguardar. É quando surgem a irritação e o conflito.” Como lidar com isso? Natalia responde: “Se tiver consciência de que estou vivendo uma semana não tão boa quanto as outras, posso fazer um esforço para superar essa dificuldade, ao aprender a administrar meus impulsos, mas sempre com respeito. Isso traz crescimento”.

Existem recursos para amenizar os sintomas da TPM, como medicamentos fitoterápicos e homeopáticos, analgésicos e anti-inflamatórios. Em casos extremos, a interrupção da menstruação é uma opção válida. Mas Natalia chama a atenção para o impulso masculinizante que vigora na sociedade atual. “Para não sofrer mais a oscilação hormonal, muitas mulheres desprendem-se do ciclo menstrual. Desse modo, passam a viver uma linearidade, à semelhança do homem, e tornam-se mais produtivas. Mas também deixam de lado o poder da criação cíclica.”

Conheça Dra. Natalia Zekhry

 

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