Congelamento de óvulos

congelamento de ovulos

No tic-tac da fertilidade

Saiba como funciona o congelamento de óvulos e porquê considerar essa opção para preservar a capacidade reprodutiva da mulher, mesmo muito antes dela resolver engravidar

Leia a história a seguir e veja se lhe soa familiar: aos 20, a mulher quer sair, paquerar, viajar, aproveitar a vida, terminar a faculdade, dar o pontapé inicial em sua carreira. Filhos? Nem pensar. Ao longo dos 30, quem sabe engate num relacionamento estável, mas a profissão costuma tomar boa parte de suas atenções e de seu tempo. Quando se dá conta, lá estão os 40 batendo à porta, e ela sequer parou para pensar pra valer em como fazer para encaixar uma gravidez na agenda do ano.

É fato que a revolução feminina trouxe uma série de possibilidades para a vida das mulheres. Só que, infelizmente, no quesito reprodução, os ponteiros do relógio biológico são irritantemente britânicos: o período de maior fertilidade na vida de uma mulher é entre os 20 e 24 anos. A partir daí, as chances de engravidar espontaneamente entram em decadência. Aos 35, a possibilidade cai para 12%. Após os 40, desce para 8%, e segue baixando, até que menopausa decrete o fim da fase reprodutiva. “Esse processo é um reflexo natural do próprio envelhecimento do corpo, que leva a uma diminuição tanto qualitativa quanto quantitativa dos óvulos”, afirma Marcelo Nisenbaum, ginecologista e obstetra e especialista em reprodução assistida da Clínica Célula Mater.

Ou seja: se essa mulher esperou até os 40 e poucos para se dar conta de que o tempo passou, pode ser tarde. Mesmo com os imensos avanços tecnológicos da medicina reprodutiva, ainda não existe uma forma de reverter a ação dos anos sobre os óvulos. E aí, os tratamentos de fertilização podem ser o único caminho viável – e nem sempre garantido. “Em virtude disso, é extremamente importante que a mulher se conscientize o quanto antes, para decidir se é interessante guardar seus óvulos numa idade em que as chances de sucesso de um tratamento sejam maiores”, diz o médico.

A saída disponível hoje para preservar a fertilidade feminina é o congelamento de óvulos. Nos últimos anos, graças ao progresso das técnicas de reprodução assistida, a taxa de sucesso de tratamentos de fertilização com óvulos congelados é bastante semelhante à de óvulos “frescos”. “Se ela fez o congelamento aos 30 anos e decidiu ter filhos aos 40, quando resolver utilizar seus óvulos congelados terá as mesmas chances de engravidar que uma mulher dez anos mais nova”, explica Nisenbaum. Isso não significa, no entanto, que mulheres mais velhas não devam também considerar essa possibilidade. “Existe uma grande variação no organismo de cada uma e, portanto, cada caso deve ser avaliado de forma individual para que se veja se vale a pena ou não fazer o congelamento”, afirma.

O congelamento de óvulos para a preservação da fertilidade é absolutamente igual ao da fertilização in vitro. Primeiro é preciso induzir a ovulação por meio do uso de medicamentos. Esse processo aumenta o número de óvulos liberados em cada ciclo. “Para termos uma chance significativa de gestação, precisamos de um bom número de óvulos, idealmente acima de 10 óvulos maduros”, explica Nisenbaum. A partir de então, a ovulação será monitorada por ultrassonografia. Quando o folículo, isto é, local onde se desenvolve o óvulo, estiver pronto, é feita a aspiração dos óvulos – um procedimento rápido e razoavelmente simples, feito por via vaginal, com anestesia. Em seguida, os óvulos aspirados serão submetidos à chamada criopreservação – ou seja, conservados em temperaturas muito baixas. No momento em que a mulher decidir engravidar, eles serão descongelados, fertilizados em laboratório e então os embriões serão transferidos para o útero previamente preparado para recebê-los.

Ou seja: mesmo que ter filhos ainda seja um objetivo distante, o congelamento de óvulos pode ser uma opção interessante. Converse com seu médico para que ele a ajude a avaliar o seu caso especificamente, e te dê ferramentas para tomar a melhor decisão. Na Medicina, assim como na vida, prevenir é sempre melhor que remediar.

Saiba mais sobre reprodução assistida