Osteoporose

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Osteoporose

Quem tem predisposição à doença deve começar a preveni-la o mais cedo possível

Não tem jeito: a perda de massa óssea após a menopausa é inevitável. A despeito da pensarmos que se trata de um tecido estático, o osso está em constante renovação desde que nascemos – células velhas são eliminadas, células novas se colocam em seu lugar. Além da densidade do tecido, essa reconstrução contínua é o que o faz mais saudável. Um dos responsáveis por ela é o estrógeno – e portanto basta que os níveis do hormônio caiam para que o processo se torne mais lento. O resultado é um osso que perde mais massa, mas não consegue renová-la com a mesma velocidade. E, por isso, fica mais suscetível a fraturas.

Mas existem maneiras de fazer com que essa perda seja menos catastrófica. E a melhor delas é ,sem dúvida, começar a cuidar do osso muito antes da menopausa. Aliás, quanto mais cedo, melhor, já que o pico da formação óssea se dá junto com a chegada da menstruação. “O desenvolvimento da osteoporose depende basicamente de dois fatores: da qualidade de massa óssea atingida durante a maturidade, e da velocidade de reabsorção (perda óssea) na pós-menopausa”, diz a ginecologista e obstetra da Clínica Célula Mater. Assim, quem investe em exercícios e numa boa ingestão de cálcio e vitamina D ao longo da vida já garante um osso mais forte e resistente antes que o declínio hormonal se inicie.

As principais fontes de cálcio são o leite e seus derivados, como queijos e iogurtes. Outras fontes desse mineral são peixes como sardinha e salmão. Já para a produção de vitamina D, é preciso ingerir alimentos como castanhas, salmão e atum. Só que a transformação da vitamina D para a forma ativa só acontece com a exposição ao sol. Por isso é preciso tomar sol pelo menos 10 minutos por dia, sem o protetor solar.

“A atividade física também é crucial, porque o trauma provocado pelo impacto estimula a remodelação do tecido ósseo”, ensina a especialista. “Só não vale natação e hidroginástica, porque esses não provocam impacto”.

Para as mulheres que têm histórico familiar de osteoporose, esse cuidado é mais que fundamental. “Mais de 70% da variação da densidade mineral óssea está ligada a hereditariedade”, explica a especialista. Os outros fatores que aumentam a predisposição à doença são: mulheres magras, da raça branca, fraturas anteriores, baixo consumo de cálcio e vitamina D, tabagismo, sedentarismo e consumo excessivo de álcool. “

Mas se você já deixou o tempo passar, ainda dá para correr atrás do prejuízo. “Nesse caso, vale ressaltar: a musculação é a melhor atividade física para evitar as fraturas, uma vez que ela tem como consequência tanto estimular a formação óssea quanto em fortalecer toda a musculatura. Com os músculos mais fortes, o corpo fica mais preparado para sua sustentação, reduzindo as chances de quedas”, ensina a médica.

Detectar a osteoporose antes que um osso se quebre é bastante importante. E atualmente isso é possível através da densitometria óssea, ressonância magnética e da osteossonografia. No entanto, todos são exames imprecisos. “O problema é técnico, pois existem variações no mesmo aparelho e em aparelhos diferentes; as posições em que a paciente fica durante o exame também altera os resultados”, diz Dr. Carlos Czeresnia. E tem mais: esses exames tampouco avaliam a qualidade óssea, determinada por sua capacidade de renovação.

De qualquer maneira, mesmo com seus poréns, esses ainda são exames imprescindíveis. “Costumamos pedir para nossas pacientes realizarem uma osteosonografia ou densitometria óssea assim que entram na menopausa. Dependendo do resultado, o exame terá que ser repetido com maior ou menor frequência”.

Quanto ao tratamento, deve-se também tomar cuidado com generalizações. A suplementação de cálcio ou de vitamina D, por exemplo, só deve ser feita quando exames detectarem uma deficiência dessas substâncias. “Caso contrário, o excesso de cálcio pode aumentar os riscos de problemas cardiovasculares, como o infarto”, alerta a ginecologista.

A reposição hormonal ainda é o método mais eficiente para evitar a perda de massa óssea, mas é contraindicada para mulheres com doença cardiovascular ativa, histórico familiar importante de câncer de mama, antecedentes pessoais de câncer de mama e de endométrio, ou cálculo de vesícula biliar ativo. Para essas, existem duas alternativas. Uma delas são os medicamentos bifosfonados, que impedem a reabsorção do osso. “Mas esses remédios não podem ser usados por longos períodos, porque tornam o tecido menos flexível”, diz. A segunda opção são os medicamentos moduladores seletivos de receptores de estrogênio: o raloxifeno e o tamoxifeno. “Eles tem ação semelhante aos estrogênio em alguns órgãos, como osso e útero, mas podem piorar os fogachos”, pondera.

Por fim, não deixe de tomar medidas básicas para se precaver de eventuais quedas em casa: coloque corrimão nas escadas, apoios e tapetes antiderrapantes no banheiro.