Mielomeningocele

Espinha bífida ou mielomeningocele

Espinha bífida ou mielomeningocele é um defeito aberto do tubo neural que ocorre pela falta de fechamento dos elementos posteriores da coluna, que protegem a medula. A exposição da medula ao líquido amniótico durante toda a gestação acarreta uma lesão progressiva, que pode ser minimizada pelo tratamento intra-uterino.

A malformação ocorre entre 0,5 a 1 em cada 1000 nascidos-vivos. O diagnóstico pode ser realizado através de ultrassonografia morfológica a partir de 16 semanas, mas a suspeita pode ser levantada no exame morfológico do primeiro trimestre (11 a 14 semanas).

A presença do defeito aberto na coluna pode levar à mal-formação de Arnold-Chiari tipo 2, que se caracteriza pela herniação do cerebelo através do canal medular, levando a uma compressão do 4º ventrículo. O bloqueio do fluxo normal do líquor através do aqueduto pode ficar comprometido levando à hidrocefalia, além de outras alterações do sistema nervoso central.

O defeito na coluna e sinais indiretos da MF de Chiari, são diagnosticados pelo exame de ultrassom, principalmente através da visualização do “sinal da banana”, que corresponde à mudança de formato do cerebelo causado pela sua herniação através do Forame Magno e do “sinal do limão”, que corresponde ao acavalgamento dos parietais causado também pelo Chiari.

Benefícios para a gestante:

  1. Menos dor pós-operatória (sem cortes na parede abdominal ou no útero, a dor e muito menor e não há restrições para maior sedação da dor)
  2. Menor cicatriz no abdome materno (apenas 3 a 4 “furos” de 3-5 mm são necessários para realizar a cirurgia fetal)
  3. Melhor recuperação pós-operatória (não é necessário repouso absoluto pelo resto da gestação e a alta hospitalar ocorre em 2-3 dias)
  4. Menor risco cirúrgico (não é necessário ficar em UTI após a cirurgia, a gestante vai para leito comum)
  5. Menor risco de rotura uterina (como não há “corte” no útero a fragilidade da cicatriz e, portanto, o risco de rotura uterina, não devem ocorrer)
  6. Ausência de “legado” uterino (parto vaginal não é contraindicado em gestações futuras)

Por essa razão, o desenvolvimento de uma técnica minimamente invasiva, onde não seja necessário “cortar” o útero materno representa um grande avanço no campo da terapia fetal. A recuperação pós-operatória e muito mais rápida e não é necessário o repouso absoluto até o termino da gestação, permitindo inclusive que o parto possa ser normal, o que é uma contraindicação absoluta no caso da cirurgia a céu aberto.

Por hora, os únicos riscos diferentes da cirurgia a céu aberto se restringem a utilização de gás (CO2) na cavidade uterina e o maior tempo cirúrgico necessário na técnica endoscópica.

Benefícios para o feto:

Maior preservação da medula

A natureza da cirurgia por vídeo (limitação dos movimentos do cirurgião) implica numa mudança da técnica para correção do defeito na coluna do feto. Isso nos levou a desenvolver uma técnica inovadora, que comparada a técnica neurocirúrgica clássica (utilizada na via a céu aberto), permite melhor preservação dos neurônios da medula. Esta nova técnica acabou levando a uma maior na preservação dos movimentos dos membros inferiores e, embora os resultados ainda sejam preliminares, permite inferir que a técnica SAFER não e apenas superior para a mãe, mas também superior para o desenvolvimento motor do feto.

Benefícios já comprovados também para o feto

Já comprovamos que, do ponto de vista motor, a cirurgia endoscópica é melhor que a céu aberto. O nível motor fica igual ou melhor que o nível anatômico em 70% dos casos, contra 40% com a técnica a céu aberto. Isto significa maior chance do bebê andar.

Do ponto de vista urinário, apenas 20% dos fetos submetidos a cirurgia pela técnica SAFER estão utilizando cateterização para esvaziar a bexiga.

Os resultados neurológicos após o nascimento, até o momento, tem sido pelo os mesmos da cirurgia a céu aberto, mas existe uma grande expectativa para que eles sejam melhores a longo prazo do que os resultados da técnica clássica. Isto porque na técnica SAFER a necessidade de nova cirurgia para “soltar a medula”, podem ser potencialmente muito menores que na técnica neurocirúrgica clássica, pois a presença da biocellulose, promete manter afastada a medula da pele evitando que ela fique aderida a cicatriz.

Célula Mater