Cebo nas canelas!

Cada vez mais mulheres estão aderindo à corrida como maneira de manter-se em forma e controlar o ganho de peso. Saiba algumas recomendações básicas para não meter os pés pelas mãos.

“Vejo cada vez mais corridas direcionadas ao público feminino”, conta o preparador físico Geovani Braga, que treina não-atletas para maratonas e provas em todo o Brasil. Sua equipe feminina costuma estar no pódio de oito entre dez competições da modalidade. “As meninas que treinam comigo são mais dedicadas e mais pontuais que os homens. Elas quere mostrar a que vieram”, conta ele. Se você quer entrar nessa onda, vale o clichê: nunca é tarde para começar. Mas alguma cautela é bem-vinda: “Eu sempre peço uma avaliação médica, de preferência feita por um cardiologista”, pondera Geovani. Depois disso, é preciso pensar no objetivo: emagrecer ou sonha participar da São Silvestre com suas amigas? Seu treino vai depender de onde quer chegar. E cuidado: embora seja carregada de informações válidas, a internet também pode ter armadilhas. Como as planilhas que prometem prepará-la para correr 5 km em quatro semanas. Há uma infinidade delas na rede. “São receitas de bolo que não levam e consideração se a pessoa tem 70 ou 90 kg, se tem alguma lesão no tornozel ou no joelho. Tudo isso faz diferença”, afirma Geovani, que diz que alguns de seus alunos chegam a precisar de três meses para se preparar com segurança para uma prova de 5 km.

É só digitar as palavras “corrida” e “mulher” no Google que você se verá diante de uma enxurrada de blogs, reportagens e propagandas de acessórios voltados especialmente para o público feminino que elegeu esse esporte como maneira de manter a forma. Ou seja: essa moda pegou. E, se a grande maioria delas arrisca as primeiras passadas porque quer perder peso, muitas acabam gostando da brincadeira. De quebra, encontram uma excelente forma de prevenir uma série de doenças. Pesquisas demonstram que a corrida reduz os sintomas da TPM e da menopausa, diminui a propensão à diabete e o risco cardiovascular.

Outra dica importante: qualquer dorzinha, mesmo a mais boba, precisa ser investigada. “A melhora cardiovascular acontece mais rápido que a evolução dos músculos”, explica a ginecologista e obstetra Paula Vilela Gherpelli, da Clínica Célula Mater. Ou seja: ao se sentir menos cansada, a pessoa vai querer aumentar o ritmo da corrida numa proporção maior que a suportada pelos músculos. E aí é batata: sem a proteção muscular, as articulações começam a sofrer. “As lesões de corrida costumam ser pequenas e, por isso mesmo, as pessoas não dão bola. Quando vão ver, já se tornaram crônicas, e mais difíceis de tratar”, avisa a médica. Alimentar-se bem é mais uma chave para que a corrida não se transforme em um problema. “O que mais vejo é mulheres que, para emagrecer mais rápido, param de comer e começam a correr”, conta Paula. Erro crasso. “A idéia é emagrecer com saúde”, ressalta a médica, lembrando que é preciso analisar cada caso globalmente para compreender qual é o motivo da briga com a balança. Para quem tem resistência à insulina, mesmo um pouquinho de carboidrato já irá pesar. Outras vezes, a comida é uma válvula de escape para a ansiedade ou para a depressão. E, para essas, a abordagem terá que levar em conta esse aspecto, ou o regime não irá funcionar.

Vale aqui um alerta para o consumo indiscriminado de suplementos, tai como whey protein e BCAA: “Eles não têm vitaminas nem minerais e, portanto, não substituem uma boa refeição”, alerta Paula. Além disso, podem causar enxaquecas, gastrite, má digestão, distúrbios hepáticos e cardíacos, além de piorar insônia, ansiedade e depressão. “Suplemento foram feitos para suplementar a alimentação dos atletas, que precisam de uma quantidade de energia que muitas vezes não conseguem suprir pela alimentação.” Fique de olho ainda no ciclo menstrual. Em excesso, a corrida pode afetar a sua regularidade – especialmente se sua alimentação não repuser o gasto energético. A longo prazo, isso pode levar a um distúrbio hoje conhecido como a Tríade da Mulher Atleta. A grosso modo, o organismo consome toda a matéria-prima necessária para produzir o estrogênio, levando a uma disfunção hormonal com efeitos similares aos da menopausa, como aumento de risco de osteoporose e problema cardiovasculares, entre outros.

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Célula Mater