A tríade da mulher atleta

Problemas menstruais + distúrbios alimentares + osteoporose: uma combinação explosiva que atinge principalmente adolescentes que se exercitam em excesso!

Eis uma conjunção de adversidades: a menina começa a apresentar problemas no ciclo menstrual, muitas vezes parando de menstruar.

Come pouquíssimo, sempre de olho na balança, sem se dar conta de que está magra demais. Silenciosamente, seu esqueleto começa a ficar mais fraco. Está instalado um trio que, se não tratado, pode ter consequências sérias para o resto da vida. E o que liga todos esses pontos é um hábito que até pode parecer saudável: a prática de exercícios em excesso.

É a chamada tríade da mulher atleta, uma síndrome que atinge principalmente jovens atletas e bailarinas, para quem a rotina é de atividade física intensa e extenuante, nem sempre acompanhada de uma nutrição adequada.

Mas, apesar do nome, cada vez mais a síndrome aparece entre meninas que não têm o esporte ou a dança como profissão, mas passam horas e horas malhando, em busca de um ideal inatingível de perfeição. 

“A cultura do culto ao corpo, com blogueiras fitness, que conseguem milhares de seguidoras ao pregar exercícios e dieta sem nenhuma noção profissional, acaba levando ao aumento dos casos”, alerta a ginecologista e obstetra da Célula Mater Fernanda Deutsch Plotzky.

A primeira peça a cair nesse efeito dominó está no hipotálamo, uma região do cérebro que, entre outras funções, é responsável por desencadear o estímulo que leva os ovários a produzir estrógeno.

“O exercício em excesso emite um sinal que inibe esse estímulo”, explica Fernanda. Sem isso, a menstruação não acontece. “O estrógeno também é fundamental para a formação dos ossos”, lembra. 

A osteopenia – que pode se agravar e virar uma osteoporose – é bastante grave nessa fase da vida, já que a formação do estoque de massa óssea acontece apenas até os 30 anos.

“Se conseguirmos reverter esse quadro a tempo, o osso volta a se formar normalmente. Mas, se não, as consequências para o resto da vida são bastante ruins”, avisa a médica.

Na falta do hormônio feminino, a lubrificação vaginal piora e pode até mesmo haver uma atrofia dos órgãos genitais, prejudicando a atividade sexual justamente numa fase da vida em que ela poderia estar no auge. Além do quê, sem ciclo menstrual, não há como engravidar.

Nesse cenário, os distúrbios alimentares são bastante comuns. “Muitas dessas meninas têm uma distorção da imagem corporal.

Elas se veem gordas mesmo estando magérrimas.” Claramente, há um forte componente emocional envolvido nessa história toda. E, por isso, a solução do problema passa quase sempre por um acompanhamento psicológico.

O uso da pílula anticoncepcional funciona como uma medida paliativa: restaura o ciclo menstrual e melhora a condição óssea. Mas não resolve o cerne da questão. 

A boa notícia é que, ao conseguir reduzir a quantidade de exercícios e melhorar a alimentação, o corpo volta ao normal em poucos meses. Quando isso acontece a tempo, não há maiores problemas para a saúde no futuro.

Aos pais, Fernanda deixa um aviso: que fiquem sempre de olho nos hábitos de seus filhos. “Prestem atenção em quem são seus modelos de beleza, se têm outros hobbies além da atividade física, quais são suas distrações e quem seguem nas redes sociais.”

Fonte: Revista Célula Mater Press,  13, 2016

Responsável Técnico: Carlos Eduardo Czeresnia – CRM 20245

No Comments Yet.

Leave a Reply

Célula Mater