Cólica Menstrual: um mal desnecessário

Novas pesquisas mostram que, nos dias atuais, a cólica é o inimigo número um das mulheres. Por trás da dor, os acusados de sempre: estilo de vida estressante, má alimentação e sedentarismo. Mas existe saída.

Atenção para os números: oito em cada dez mulheres entre 16 e 24 anos sofrem com cólicas todos os meses

Na faixa etária entre os 16 e os 40 anos, nada menos que 75% deixam de cumprir parte de suas obrigações por causa dessa dor, e 58% abrem mão de algo que gostam de fazer pelo mesmo motivo. 

Essas e outras estatísticas (abaixo) são resultado de uma pesquisa feita este ano pelo Ibope Inteligência por encomenda de um laboratório farmacêutico.

Os números da pesquisa

  • 61% das mulheres sentem cólicas mensalmente, com intensidade forte ou extremamente forte
  • 59% delas têm, além das cólicas, dores de cabeça. Em 46%, a dor atinge também as costas. Em menor escala, as entrevistadas reclamaram que ainda sentem mal-estar no estômago, nas mamas e tensão nas articulações
  • 83% das mulheres declaram que a cólica afeta o seu humor 
  • 49% afirmaram que não conseguem passar pela menstruação sem algum tipo de alteração comportamental.

A má notícia é que há evidências de que esse panorama, já bastante tenebroso, tende a ficar ainda pior. Sim, porque a frequência e a intensidade das cólicas aumenta à medida que a mulherada presta menos atenção na qualidade do que come, abandona os exercícios e se deixa envolver numa rotina estressante. 

“A cólica está de fato ligada a fatores como estresse, sedentarismo, alimentação ruim e à presença de muitos hormônios nos alimentos”, confirma Marcelo Gil Nisenbaum, ginecologista e obstetra da Célula Mater. 

Ele revela ainda que a endometriose, uma doença que provoca cólicas, antes mais rara, também anda ficando mais e mais frequente.

Sentir um leve incômodo na região pélvica, especialmente nos primeiros dias da menstruação, pode ser considerado até natural: afinal, trata-se do útero se contraindo para eliminar o sangue. Mas isso não deveria atrapalhar o cotidiano de ninguém. 

Não é o que mostram os números do Ibope. Outra pesquisa, publicada na Revista Brasileira de Medicina, mostrou que 33 milhões de brasileiras sofrem com cólicas menstruais capazes de impactar sua produtividade no trabalho, e 30% delas têm que se afastar do escritório por causa da dor.

Saída à frente

Quando se trata de combater o incômodo, os remédios próprios para esse fim, que costumam ser feitos com substâncias antiespasmódicas (ou seja, que diminuem a contração muscular do útero), são os campeões de popularidade. 

Segundo a pesquisa realizada pelo Ibope, 71% das participantes fazem uso desse tipo de medicamento e 54% sempre o têm por perto. 

A investigação mostrou ainda que 86% das mulheres buscam um alívio imediato.

De fato, essas drogas podem ajudar, mas Nisenbaum dá uma dica essencial: não adianta lançar mão dos comprimidos apenas quando o mal-estar já é grande. “O melhor é que eles sejam usados antes da dor começar ou quando ela ainda está amena, ou então pode ser que ele não tenha o efeito desejado”

Isso sem falar que tomar um medicamento indicado pela amiga ou pelo farmacêutico não é a melhor opção. O ideal é sempre consultar um especialista. “Alguns casos são sub-tratados e a intervenção de um médico poderia melhorar muito a qualidade de vida da paciente”, afirma Nisenbaum

Além dos antiespasmódicos, um especialista pode também lançar mão de analgésicos, anti-inflamatórios e anticoncepcionais. “Esses últimos podem ser usados da forma convencional, o que ajuda a diminuir o fluxo e a dor, ou, em casos graves, de maneira contínua, fazendo com que a mulher menstrue menos vezes durante o ano”, explica Nisenbaum.

Cuidar da alimentação e praticar atividades físicas com regularidade também são medidas eficazes – e, porque não dizer, imprescindíveis – para evitar que as crises aconteçam. 

Mas, se mesmo assim a cólica insistir em aparecer, é recomendado fazer uma dieta leve e ingerir bastante líquido. 

Bolsas de água quente, bebidas quentes, massagens e sessões de acupuntura também podem ajudar. No entanto, se for descoberto que a cólica é sintoma de outro problema, o médico terá que prescrever um tratamento específico.

“Por isso, se o desconforto for muito grande ou se a mulher sentir que houve alguma alteração no sintoma, é importante que ela converse com o seu ginecologista”, alerta o médico. 

O mesmo vale para casos de períodos menstruais muito longos, fluxo muito abundante e alterações de fluxo com o passar do tempo.

De qualquer forma, a consulta anual com o ginecologista é imprescindível. Não deixe de contar a ele como anda a sua menstruação e se observou qualquer coisa diferente nesse período. 

Usar um calendário para anotar o que sente – ou aplicativos de celular específicos, que já existem aos montes – é uma boa ideia, pois ajuda a lembrar detalhes que podem ser relevantes durante a consulta, além do que o médico poderá associar os sintomas à fase do ciclo menstrual.

Portanto, espalhe a notícia: conviver com cólicas fortes todos os meses é um mal desnecessário. Com uma boa investigação e a orientação médica apropriada, além de certos cuidados básicos em seu dia a dia, é possível sim viver com menos desconforto.

Fonte: Revista Célula Mater Press

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